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SERMÃO 5

NOTAS INTRODUTÓRIAS

NESTE e nos sete sermões que se seguem, Wesley expõe as doutrinas evangélicas que servem de base ao ensino metodista. A justificação pela fé ele a apresenta sob dois aspectos: 1.° — É um ato da graça perdoadora de Deus, condicionado à fé. 2.° — É um dom de justiça ou de retidão de entendimento para com Deus, por nós recebido mediante a fé. O sermão seguinte (6) define os passos que precedem à consecução desse estado de graça. No sermão 7 temos aqueles princípios em seu caráter subjetivo, manifestando-se na experiência pessoal. Os sermões 8 e 9 são consagrados aos frutos do Espírito regenerador, ou Espírito de adoção, que acompanham o ato de fé ou de confiança. Os sermões 10, 11 e 12 contêm a doutrina do penhor duplo, ou testemunho desse estado de graça. Wesley encarava o círculo de doutrinas apresentadas nestes oito sermões como ARTICULUS STANTIS VEL CADENTIS ECCLESIAE: A Igreja Cristã permanece ou cai com estes artigos. Em 1739 ele publicou um trabalho sobre a “Justificação pela Fé”, escrito pelo Dr. Barnes, e em 1743 seu “Caloroso Apelo aos Homens de Razão e Religião”, contendo uma clara exposição da doutrina. Nestes sermões, impressos em 1747, ele simplesmente definia as doutrinas e ensinava as mesmas verdades fundamentais que sua própria experiência havia confirmado por nove anos. Não eram meros dogmas que se pudessem facultativamente aceitar, sem que a vida lhes experimentasse a influência, ou rejeitar, sem que a alma sofresse dano. São verdades essenciais, de cuja aceitação dependem o início e o crescimento da religião na alma.

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A 25 de junho de 1744, Wesley reuniu sua primeira Conferencia (ou Concílio). Estiveram presentes os irmãos Wesley, quatro outros clérigos e quatro pregadores leigos — num total de dez pessoas. O primeiro trabalho dessa Conferência foi a consideração da doutrina, ficando assentadas as seguintes proposições:
1. Ser justificado é ser perdoado e recebido no favor de Deus.
2. A fé é condição de justificação.
3. O arrependimento e os frutos dignos do arrependimento forçosamente precedem a essa fé.
4. A féé uma evidência divina, sobrenatural, ou a convicção de coisas não vistas; é uma visão espiritual de Deus e das coisas de Deus. Primeiro o pecador é convencido pelo Espírito Santo: “Cristo me amou e deu-se a si mesmo por mim”. Esta é a pela qual ele é justificado, ou perdoado, no momento em que a recebe. Imediatamente o mesmo Espírito dá testemunho: “Tu estás perdoado; tens redenção em seu sangue”. E esta é a fé salvadora, pela qual o amor de Deus se derrama no coração.
5. Nenhuma pessoa que ouve o Evangelho pode ir para o céu sem essa fé, posto que o pagão possa fazê-lo.
Na Conferência de 1745, essas proposições foram cuidadosamente revistas e apresentadas nestes termos:
P. Se o sentimento do amor perdoador de Deus é absolutamente necessário à salvação final, — como supô-lo em um papista, ou quaker, ou, em geral, nos que jamais ouviram pregar sobre isto?
R. O amor tudo espera. Não sabemos até que ponto qualquer desses tais possa ser classificado como exemplo de ignorância invencível.
P. Consideramos devidamente o caso de Cornélio? Não estava ele no favor de Deus quando “suas orações e esmolas subiram como lembrança diante do mesmo Deus”, e isto antes que ele cresse em Cristo?
R. Parece que ele estava, de algum modo, no favor de Deus, mas nós não falamos dos que não ouviram o Evangelho.
P. Mas essas obras não eram “esplêndidos pecados?”.
R. Não; nem foram praticadas sem a graça de Cristo.

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P. Como, então, podemos sustentar que todas as obras feitas antes de termos sentimento do amor perdoador de Deus, sejam pecado, e, como tais, abominação ao Senhor?”.
R. As obras daquele que ouve o Evangelho e não crê, não são feitas como Deus “desejara e ordenara fossem cumpridas”. Ainda assim, nós não sabemos como afirmar que elas sejam abominação ao Senhor, uma vez feitas por alguém que teme a Deus e, levado por esse temor, faz o melhor que pode.
O ensino romanista concernente à justificação prevalecia, por esse tempo, em várias regiões. Segundo a doutrina do Concilio de Trento, a santificação precede à 1ustificação, e as boas obras necessariamente constituem a base, ou a justiça inerente que, no sistema católico-romano é somente outro modo de designar a justificação. A doutrina da penitência formava uma espécie de propiciação pessoal, pela qual o pecador assumia o ofício e a obra de Cristo, sofrendo o castigo de seus pecados e, assim, tendo satisfeito a justiça de Deus à custa de punição pessoal, o pecador tomava-se justo. Para combater esse e outros erros, Wesley define sua doutrina que é a mesma da Igreja da Inglaterra, nestes termos:
1. Que nenhuma boa obra, assim chamada, pode vir antes da justificação.        
2. Que nenhuma espécie de verdadeira santificação pode preceder à justificação.
3. Que, visto ser a vida e morte de Cristo a causa meritória da justificação, a condição desta é a fé, somente a fé.
4. Que a santidade, quer interior, quer externa, é conseqüência dessa fé e é a condição ordinária, estabelecida, da justificação final”.

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ESBOÇO DO SERMÃO 5

Como pode o pecador ser justificado diante de Deus? Importância desta questão e noções confusas no tocante a ela.
1. Fundamento da doutrina da justificação.
O homem criado à imagem de Deus. Colocado debaixo de uma lei perfeita — uma lei de amor e de mandamento positivo. O homem violou essa lei. As conseqüências que desse pecado advieram a Adão e à sua posterioridade. A dádiva do Filho de Deus e sua obra propiciatória. O “oferecimento do perdão de Deus a todo o mundo, mediante seu Filho”.
2. A justificação definida. Não é ser o homem realmente feito justo ou reto. Não é substrair-se o homem às acusações de Satanás, ou da Lei. Justificando o pecador, isto não implica em que Deus esteja sendo enganado. A noção clara que as Escrituras ministram acerca da justificação é a de perdão, — perdão de pecados. É o ato de Deus pelo qual o Pai, em atenção à propiciação feita pelo sangue de seu Filho, “mostra sua justiça (ou misericórdia), através da remissão dos pecados passados”. Nas Escrituras a justificação muita vez se relaciona com o dia de Juízo, mas ainda mais freqüentemente ela se apresenta como tendo lugar no início da vida cristã.
3. Quais são os que são justificados?
Os ímpios. Não os que são santificados, mas os perdidos, o enfermo, o condenado. As boas obras, no sentido mais elevado da palavra, não precedem, mas seguem a justificação.
4. As condições da justificação.
A fé somente. As provas disto tiradas da Escritura. Essa fé definida não somente como uma divina evidência ou convicção— 106/107 — de que “Deus em Cristo estava reconciliando o mundo consigo mesmo”, mas uma confiança segura e certa de que Cristo morreu por meus pecados, amou-me e deu-se a si mesmo por mim. Essa fé é a doutrina da Igreja da Inglaterra. É a condição necessária. No momento em que é recebida, ela é “reputada com justiça”. A razão dessa condição pertence a Deus; ela, entretanto retira ao homem todo motivo de orgulho. Exortação aos ímpios para que creiam.

— 107/108 —

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